segunda-feira, 29 de abril de 2013

TIC TAC...



“O tique-taque dos nossos relógios é tão grosseiro, tão mecanicamente sincopado que já não temos o ouvido bastante aguçado para escutar o tempo que se escoa” 
(BACHELARD, 1993, p.173)




por Érica Lopes
foto: Priscila Pimentel


Tempo...


“Na ampulheta, ele ouviu subitamente a catástrofe do tempo” 

                                                              (BACHELARD, 1993, p.173)




                           


*FOTOS: Priscila Pimentel sobre processo próprio de criação de ampulheta com materiais reaproveitados para utilização em intervenção cênica do Grupo CELULA a ser realizada em maio de 2013.

por Érica Lopes



sábado, 6 de abril de 2013

A Intrépida Viagem por Roniere Silva


RELATO SOBRE A PEÇA "A INTRÉPIDA VIAGEM DE UM HOMEM E UM PEIXE"

por Roniere Silva

Descemos no elevador e nos defrontamos com um ambiente repleto de luzes azuis e uma caixa com programas e livros sobre a peça, sons distantes.  Não sabíamos se este momento já fazia parte da apresentação. O público chegava aos poucos em grupos de cinco pessoas que desciam por esse elevador que possuía estrutura de acrílico e vista para a Bahia de Todos os Santos. O relógio marcava 17h30min e a luz que vinha do elevador invadia o ambiente de tempos em tempos proporcionando uma materialidade de luz natural.
           
            Um homem cabeludo e com chapéu aparece com cara muito simpática, mas sem pronunciar uma única palavra. Ele sai de uma porta que parecia uma parede comum branca, estávamos no Foyer e já envolvidos na atmosfera cênica que aquele trabalho buscava estabelecer. O homem com uma bola de barbante nas mãos entrega a uma criança – Hanna, por acaso minha filha – que ele conduz sozinha para dentro do teatro, mas nós não sabíamos se era isso mesmo. Depois escolheu dois adultos e também levou e assim sucessivamente até que o público ocupasse toda plateia.

            O homem entra numa espécie de caixa projetora de imagens e que também possibilita o acionamento de vários materiais – e são muitos – da cena que interage com outro ator que conta a história de um país apenas habitado por idosos. Nenhum elemento cênico é gratuito, vários bonecos de arame que na verdade era um só personagem em diferentes fases de sua vida ou ações. Ações que iam desde deitar-se – com a manipulação do ator que aparecia no palco – em uma pequenina cama que subia e descia aos olhos de todos até o momento em que o boneco grande de arame tomava banho numa bacia grande, este ser é sensível e ganha vida na história, percebe-se seu coração. O material é mesmo sem vida?

            Chama a atenção a sombra projetada do primeiro ator e imagens de água corrente, um ser – tartaruga de brinquedo – e cores em expansão nessa água. Tudo levava a crer que a projeção vinha de um suposto datashow colocado por dentro da caixa no cenário que possuía a origem e efeito da projeção das imagens. Ao fim da peça, que foi excelente, para nossa surpresa era o antigo retroprojetor com uma travessa de vidro sobreposta, água jogada devagarinho dentro da travessa e pingos de tinta simples e ainda uma tartaruguinha made in china que rodopiava dentro da água. Saímos curiosos e felizes pelo reconhecimento de experimentos feitos recentemente em nossas pesquisas. Sei que as impressões foram as melhores possíveis, uma vez que nos identificamos em termos de processo de criação.