Jean Renoir (1990, p 231) discute a realidade da
obra de arte sob o ponto de vista de seus receptores: "Um grande poeta se
situa no mundo que inventou. Vou mais longe: transforma o mundo e as pessoas
com os produtos de sua imaginação. Oscar Wilde alegava que antes de Turner não
existia nevoeiro em Londres. Estou convencido de que Wilde tinha toda
razão". (p 138).
Uma das questões mais surpreendentes , no que diz
respeito à natureza da verdade da arte, é que essa realidade com leis próprias,
ao se desprender do mundo que lhe é externo, aproxima-se mais dele. O mundo,
construído ao longo do processo criador, ultrapassa a realidade: canta a
realidade e tem o poder de aumentar a compreensão do mundo. A obra de arte, na
tentativa de revelar o mundo que o artista percebe, conhece e apreende, coloca
seu receptor mais próximo da realidade que lhe é externa. (p 139).
Essas duas citações extraídas do livro "Gesto Inacabado. - Processo de criação artística", de Cecília Salles me remeteram ao pensamento de Augusto Boal quando o mesmo defende que em comunhão dialética e domínio da linguagem, o indivíduo é capaz de constatar, comunicar e transformar a realidade. Este pensamento também me remete a afirmação de Oscar Wilde ao dizer que a vida imita a arte. A física quântica lança questões interessantes sobre a força e o poder que a consciência, a imaginação, o pensamento e a ideia têm sobre a construção e criação de realidades. Através de uma intervenção artística realizada com o Grupo Célula, propus um jogo (para maior aprofundamento da intervenção, acessar a página https://pibiccelula-nilsonrocha.blogspot.com.br/search/label/relat%C3%B3rios e ler os seguintes tópicos: Caixa sensória – O objeto
polissêmico, o relato; Caixa sensória – O objeto polissêmico, a Intervenção e Caixa
sensória – Registro das obras de arte) no qual as pessoas que estavam transitando pelo espaço da intervenção criassem uma escultura a partir de objetos simbólicos espalhados em um marco zero. O objetivo era que através dessa superação e encurtamento da distância entre arte e indivíduo, a pessoa comunicasse sua percepção da realidade e ao ver sua obra pronta, constatasse sua realidade de maneira consciente. A transformação acontecia justamente na metáfora artística criada. A partir dali era com cada qual como elas e eles irião transformar nos seus cotidianos aquelas realidades expressadas em arte no sentido daquilo que as oprimiam.
Segue em anexo, duas fotos de como duas pessoas expressaram suas realidades a partir do recorte farmacêutico, sexual, de gênero, religioso, capitalista e educacional.
Segue em anexo, duas fotos de como duas pessoas expressaram suas realidades a partir do recorte farmacêutico, sexual, de gênero, religioso, capitalista e educacional.

