Acabo
de terminar de assistir um filme encantador e poético, na madrugada de hoje(12.11.2015),
O Fabuloso Destino de Amélie Poulain, dirigido
por Jean-Pierre Jeunet e que traz uma caixa de estimulo como
ponto de partida para o desenrolar do filme. É a partir dessa caixa misteriosa
que o filme toma outro rumo, que a vida da personagem principal muda... É uma história de pessoas comuns que tem alguns de
seus detalhes colocados em destaque. O
Fabuloso Destino de Amélie Poulain é um filme antigo, mas como os antigos ainda
encantam esse filme é encantador e diferente com seus personagens marcados por particularidades díspares. Amélie é uma garota “traumatizada” com o suicídio
de sua mãe em frente à igreja, a distância afetiva de seu pai e um diagnóstico
errado de um problema em seu coração que a mantém longe do convívio com outras
crianças.
A
suposta doença faz com que Amélie seja mantida sempre em casa, sem amigos e com
suas fantasias. Ela cresce, vai morar sozinha e vive sua vida com as marcas que
sua infância deixou, mas sempre muito doce e sensível. Sem querer ela acha uma
caixa cheia de objetos do antigo morador de sua casa atual e esse encontro muda
os caminhos do filme e a motiva a fazer outras coisas. Quando ela encontra o
dono da caixa e percebe o quanto ele se emocionou ela descobre um novo objetivo
para sua vida: fazer com que as pessoas fiquem felizes através de pequenos
gestos. Durante seu caminho ela encontra os mais
atraentes e memoráveis personagens. De um rapaz que coleciona fotografias de
pessoas anônimas, até um senhor que não vê televisão porque tem preguiça de
trocar os canais.
Eu entendi essa caixa que mudou o sentido da vida de Amélie
como um pacote de estimulo composto, que é a seleção de objetos escolhidos a
partir de um objetivo específico, para gerar improvisos, se formos pensar no
contexto da dramatização. Não sei diretamente qual finalidade do diretor e nem
o seu objetivo com a aqueles objetos, mas esse pacote fez com que Amélie se
sentisse estimulada a viver de outra maneira, a criar
situações, a improvisar durante determinadas circunstâncias. E como diz Beatriz
cabral
O estímulo composto reúne um conjunto de
artefatos-objetos, fotografias, cartas e documentos, por exemplo, em uma
embalagem apropriada. A história que se desenvolve a partir dele ganha
significância através do cruzamento de seu conteúdo -- o relacionamento entre
os artefatos nele contidos– e como os detalhes de cada um sugerem ações e
motivações humanas (CABRAL, 2066, p.36).
A
caixa que Amélie Poulain achou e a relação que ele teve com a mesma foi à motivação para ela buscar, a ação sugerida foi a de procura por esse dono e depois
que ela viu e sentiu o quanto aqueles objetos instigaram a memória desse homem
e o motivou a resolver um dilema familiar, ela decidiu ajudar os outros com seu
jeito diferente, reservado, solitário e cheio de planos, até o momento final em
que ela descobre o amor e começa a jogar com ele até perceber que para ele acontecer é preciso que ela se permitir e se ajude.
Segue um pequeno trecho do texto do filme:
Segue um pequeno trecho do texto do filme:
- Sabe a garota do copo de água?
- Sei.
- Se parece distante, talvez seja porque está pensando em alguém.
- Em alguém do quadro?
- Não, um garoto com quem cruzou em algum lugar e sentiu que eram parecidos.
- Em outros termos, prefere imaginar uma relação com alguém ausente a criar laços com os que estão presentes.
- Ao contrário, talvez tente arrumar a bagunça da vida dos outros.
- E ela? E a bagunça na vida dela? Quem vai pôr ordem?''
Referência
CABRAL, Beatriz Ângela Vieira. Drama como método de ensino.
São Paulo: Hucitec, 2006.












