domingo, 27 de outubro de 2013

Imagens - Ato performativo: Entre Nós - SEMEP/UFBA - 24/10/2013









Diário de Apresentação - Ato Performativo: Entre Nós

As reações são as mais diversas do que imaginava ser as ações despretensiosas de nossas falas não mostra a surpresa das repostas do público. Chegamos a alma deles e encontramos a nós mesmos. Mas,e a critica social em um processo que não é político? Não propõe mudança  nenhuma a realidade social? Assim me perguntaram a cerca do processo de memórias e materialidades.

Tomando o ser humano dotado de emoção-mente-vontade ,assim como o ser pensante consciente e o ser que vive em uma dimensão onde reside as memórias e este mesmo que se identifica com as coisas da vida de forma inconsciente,que não nos chega a consciência ,estas informações chegam a este “homem oculto” e lá dentro está formando a sua/nossa identidade.É neste perceber o homem integral que vejo a possibilidade de uma postura que nasce a partir do conhecimento de si mesmo,acessando estas memórias, estas imagens que se transforma em pensamento e palavras, e  que nos chegam partindo também de questionamentos pessoais que nos levem a respostas e destas criam-se as verdades que  ditam os nossos comportamentos de como nos relacionamos com o outros e com as coisas que nos cercam.

Na apresentação no SEMEX/PIBIC/UFBA 2013 

Nossa performance, sempre trazendo surpresas que enriquecem ,estas que vem do público diverso.É do público que vem as maiores respostas,encontramos respostas nos personagens quando queremos entender mais dele e buscar coisa nossa para enriquecê-lo.Mas nos encontramos com o público em identidades de quereres,sonhos ,problemas a serem resolvidos e que se sintetizam em única palavra buscada,quando indagamos”O que nós temos em comum?”

           E seguir “O que nos temos em comum?, Encontramos respostas que são passadas ditas a outros ,como que criasse um elo,um átomo,um em vários.Dentro das respostas que tinham dado a ela estava o nada,o vazio e quando lhe ofereci sonhos e alegria,que foram respostas de um outro,ela logo quis trocar,queria sonhos ao invés de vazio.

         Oferecemos sempre as respostas ofertando com uma “Xícara de chá”,que neste dia foi copinhos plásticos com suco ,ela tinha recebido um”Suco nada,suco vazio” e eu a oferecia um “suco sonho,suco alegria”,ela pediu para trocar,disse que não queria receber “vazio,ou nada”.Penso que, neste olhar os desejos e descobrir o porque que nada ou vazio a incomoda, vem um monte de respostas nela,associações que tornam o nada /vazio incomodo, alguma situação real que a incomodou num vazio que não sei qual é,a incerteza do nada após o fim de uma graduação,mas aqui já são leituras minhas sobre o que ela disse,aqui me sucede questionar a minha realidade acerca deste vazio,o que pode ser,então percebo que não os quero também ,e nesta resposta do outro me encontro,como uma resposta que me fez olhar e questionar a realidade da Escola de teatro,da política social e meu presente/futuro como educador e artista.

Logo as questões políticas e sociais estão em tudo,nas relações,nas respostas que as pessoas nos dão,que é sua subjetividade interagindo com a realidade,subjetividade esta formada das relações sociais e políticas e que nos guiam ações para mudar as nossas vidas ,a nossa realidade.

É nas memórias também que nos encontramos na ralação com os nossos desejos e como eles nos faz relacionar  e nos despertam reação e,estas que nascem da interação com as nossas realidades a  partirmos para ações,que modifiquem algo para podermos realizar o queremos,ou para dá continuidade a algo que já está legal.


por Alex Nascimento

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Apresentação Seminário SEMEP 2013

 No dia 22 de outubro, a pesquisadora do grupo CELULA, Érica Lopes, realizou uma breve apresentação sobre a utilização de materialidades nos processos criativos em teatro como parte integrante da programação do SEMEP 2013. 
A apresentação enfocou o conceito de materialidades, as justificativas para sua utilização, e expôs alguns exemplos de processos criativos com a utilização do método.

sábado, 19 de outubro de 2013

Corpo-instalação-experimento: Gestar

                                                                           
                                                                                  gestar-se



reconhecer-se
"O que é que nós temos em comum?"


aprender. sentir.


processo. criação.




crianças.
"O que é que nós temos em comum?"


tempo.


cores de um tempo.


ver. sentir. experienciar.


* As fotos acima foram tiradas durante reunião do Grupo CELULA, no dia 18/10/13, na Escola de teatro da UFBA. Na ocasião, dispondo de projeções para ensaio do Ato Performativo Entre Nós e de uma integrante grávida (Érica Lopes) o grupo de pesquisadores resolveu realizar experimentos utilizando a barriga/ninho como possibilidade. Eis o resultado parcial - início(?) de mais um processo criativo partindo de materialidades (projeção + corpo/barriga).

por Érica Lopes


sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Processo Criativo - Adaptação do Ato Performativo "Entre Nós"


Estamos adaptando o "Entre Nós: Ato Performativo" para uma nova apresentação. Algumas coisas mudaram: artistas, projeção, materiais entraram, outros saíram... Assim é o processo inerente à criação.
Na tarde do dia 23/10, como parte da programação do SEMEP-UFBA, um "novo" Ato será apresentado.

“Cada versão contém, potencialmente, um objeto acabado e o objeto considerado final representa, de forma potencial, também, apenas um dos momentos do processo.” 
(SALLES, 2006, p.26, l.28)


  

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Oficina Ator Contemporâneo (FIAC)

por Joseane Santana

A Oficina de Teatro e Dança contemporânea oferecida nos dias 19 e 20 de setembro de 2013 na Sala Principal do Teatro SESC Pelourinho pela programação do Festival Internacional de Artes Cênicas (FIAC). A oficina foi desenvolvida pelo ator, diretor e atualmente estudante de Licenciatura Guido Campos (GO).
Neste relato não descreverei a oficina, apenas a experiência de criar histórias e personagens a partir de materialidades. Durante os dois dias de oficinas, tínhamos no circulo do palco, bonecos de pano do interior do estado, chocalhos em dois tamanhos, máscaras diversas, peteca, nariz de palhaço e mais alguns elementos que neste momento não me recordo. Por vezes fomos convidados a apreciar aqueles objetos com atenção, atenção alias que nem sempre foi dada como devida por nós. Saímos para além das paredes do Teatro, e sem uma só palavra veio o convite para observar o externo, o que nos chamava mais a atenção, quando na verdade somos bombardeados de informações o tempo todo.
As impressões da rua formaram gestos marcados, contados e cronometrados, estes por sua vez aos poucos se tornaram gestos cotidianos, tão cotidianos que acredito que sou capaz de repeti-los com tranquilidade, mesmo após tanto tempo sem fazê-los.
Os objetos eram um convite para o brincar, mas não tivemos muito contato com eles inicialmente, a ideia era pegar um objeto e contar uma história. O grupo demonstrava total integração e surgiu uma única história que conseguia se unir interinamente a seguinte e assim consecutivamente. Ganhamos um enredo a partir daqueles objetos, que colados aos movimentos cotidianos construiram o que podemos chamar de mostras, mini mostras, performances, enfim... nem sei qual seria a denominação correta.
A experiência enriqueceu meu ponto de vista em relação a maneira que a materialidade é oferecida, e de que maneira ela torna-se além de estímulo para criação, construção cênica, como cenário e acessórios. Um trabalho rico em observações e reciclagens, em contextualização.


quinta-feira, 26 de setembro de 2013

A Pequena Coleção por Érica Lopes

PEQUENA COLEÇÃO DE TODAS AS COISAS
Cia. Dani Lima – RJ
25 de setembro de 2013, 16h
Teatro Vila Velha



A subversão não está na forma, está no olhar.

Brinquedo. É a primeira coisa que me vem à mente ao pensar no espetáculo. De fato, foi isso o que senti durante quase todo o tempo da peça. A montagem me reportou aos brinquedos da infância, à leveza, à alegria, ao faz de conta.
A maneira de se relacionar com os objetos dispostos no palco sem necessariamente se prender aos seus usos e classificações cotidianos, me levou ao mundo infantil onde qualquer coisa pode ser tudo o que quisermos. As crianças pareciam estar bastante identificadas com aquele acontecimento também.
Muitas vezes percebi durante a apresentação a presença de jogos que eu já tinha selecionado para utilizar na oficina, que será realizada no meu estágio deste semestre, com um grupo do quarto ano do ensino fundamental no Centro Municipal de Educação Infantil Cid Passos (Coutos - Salvador/BA), e que embasará a pesquisa do meu Trabalho de Conclusão de Curso. Por exemplo, “Quando eu for pra lua” e jogos de frases com os objetos.
Alguns dos educandos com os quais trabalharei em breve estavam lá, participando da formação de plateia do FIAC. Aproveitei pra já começar uma conversa com alguns e comentar que também faremos um trabalho com objetos. Certamente essa experiência será de grande valia na oficina.
O espetáculo se classifica como “dança infantil”, e me questiono essa categorização: o que define até onde vai a dança e começa o teatro ou vice-versa? No bate-papo após a apresentação, Dani Lima começou esse assunto com as crianças, mas a demanda do público por realizar mais perguntas não permitiu o desenvolvimento do tema. Ela chegou a dizer que o espetáculo diferia porque não tinha história (Teatro necessariamente tem que ter história para ser teatro?! Pensei. Ah, o nosso bom e velho modelo dramático… Ah, meu TCC… rs), mas o assunto não pôde ser desenvolvido. Achei a proposta bem parecida com o que estou pretendendo fazer no estágio e que enquadrei como teatro. Talvez uma sutil diferença se coloque na forma e ênfase dada ao trabalho corporal, mas ainda não estou segura disso.
Busquei, durante todo o tempo, encontrar as relações com a minha proposta de estágio e, por um tempo, fiquei presa à busca pela observação dos contatos não cotidianos com os objetos nas ações realizadas em cena. Mas as cenas mesclavam o faz de conta infantil com os usos padrões das coisas. Até que finalmente eu percebi (eu também já modelada, apesar de ciente) que a subversão não necessariamente está na forma, mas no olhar.
A encenação fazia constantemente agrupamentos de coisas, coleções. E como coleções, utilizava critérios, sentidos lógicos: cores, usos, preferências, nomes começados com a mesma letra e até kits para as mais variadas coisas, de sobrevivência na casa da árvore a salvamento de ursinho de pelúcia. Mas, ainda que em algum momento resolvessem fazer a classificação mais óbvia e usual, meu olhar já estaria contaminado do estranhamento, da ludicidade, da abertura às possibilidades.
Parece-me que o processo criativo deles é mais focado no corpo que nos objetos em si. Dani Lima chegou a dizer que realizaram muitos jogos centrados em ações, verbos e movimentos e, como ilustração, realizou um jogo em que um diz um verbo, por exemplo, abrir, e todos vão falando possibilidades com abrir, exemplos: abrir a boca, abrir uma porta, abrir a cabeça, abrir um pacote de biscoito. Tenho a impressão de que a classificação dos objetos que resultou nos diversos agrupamentos utilizados em cena também foram provenientes de jogos.
Dani explicou que essa peça é uma adaptação para crianças, realizada em dois meses e meio de processo, de um espetáculo adulto da Cia, chamado Pequeno Inventário de Lugares Comuns. O processo do espetáculo adulto está registrado no blog http://pequenoinventriodelugarescomuns.blogspot.com.br/ .

por Érica Lopes


A Pequena Coleção por Joseane Santana


Diário de uma Pesquisadora

A experiência de ver, o momento de contemplar, um movimento curioso, um método que não é formula, uma ideia que surge, floresce e depois frutifica nas nossas cabeças.

A PEQUENA COLEÇÃO DE TODAS AS COISAS
Direção: Dani Lima
Intérpretes-criadores: Carla Stank, Laura Samy, Lindon Shimizu, Renato Linhares

Espetáculo de dança contemporânea apresentado no dia 25 de setembro de 2013 na Sala Principal do Teatro Vila Velha pela programação do Festival Internacional de Arte Cênica (Fiac).
Poucas são as palavras para descrever tantas sensações, e seguirei dessas poucas palavras para descrever o que vi, senti e vivi na tarde dessa quarta-feira quente e cansativa em Salvador.
Reencontro – minha primeira palavra, escolho ela porque foi bom rever minha colega de trabalho e turma Érica Lopes, tocar aquele imenso casulo e saber que ela está bem. Foi bom reencontrar Telma Gualberto, que também estava por lá, trabalhando, ajudando na construção daquele espetáculo. Enfim, foi muito bom também reencontrar com alguns objetos que a muito eu não via, todos ali espalhados naquele palco reformulado para receber a magia da arte.
Bagunça – minha segunda palavra, e essa é extremamente pessoal, meu dia foi muito bagunçado, e encontrar todas aquelas coisas espalhadas no palco me incomodou, para que o leitor entenda, no inicio do espetáculo os quatro atuantes – os denomino assim, porque não os vejo apenas como dançarinos, e como eles não se denominam atores, assim faço para facilitar a minha descrição –, estavam espalhados no meio de uma bagunça, formada por 120 objetos diversos, dos quais muitos temos em nossa casa, eram tantos que fico até confusa em descrever.
De repente em movimentos dos mais variados, os objetos começam a tomar outro rumo e ganhamos fileiras, e de cada objeto vai surgindo uma história, vai surgindo um formato de se contar uma história, os corpos vão fazendo formas, os objetos vão formando contornos, os atuantes vão ganhando corpos, tons de voz e aos poucos começam a surgir desejos, o desejo de cada atuante forma um grupo de objetos, denominados kits, por exemplo, tínhamos o kit na casa de socorro, na casa da árvore, o kit deserto, e muitos outros.
E as músicas intervinham como mãos nas formas e contornos da história, e das brigas ao amor tudo era embalado por um som, sons que vinham do palco por meio eletrônico e microfones, ou pelo batuque composto por objetos que já estavam ali, como um tapete, uma caixa e uma lixeira; ou mesmo por meio da própria mesa de som, que dialogava perfeitamente com todos os movimentos e objetos.
E num sopro as cores se separam, cada objeto ganha seu espaço e um vão no meio do palco é aberto e eis que surgem super-heróis, novos personagens, novos desejos e novas histórias, os corpos criam movimentos dos mais simples aos mais desenvolvidos, eles brigam, brincam, sorriem e choram, eles formam um corpo único que nos encanta, que se mistura com os objetos que fecundam num espetáculo envolvente.
Pronto, as bagunças foram arrumadas, do meio para o final do espetáculo eu ri, chorei, e fixei o olhar no palco, tentava reparar o uso de cada objeto, e no final, fui surpreendida, após um solo encantador de uma das atuantes, ganhamos um espetáculo a parte, e ai vêm a minha última palavra: Surpresa.
Talvez, está palavra fosse suficiente para compor todo esse escrito, porque eu não esperava que aquele amontoado de coisas me provocasse tanto, me fizesse ter vontade de brincar. E, no fim um data show é ligado, e famílias surgem a partir de objetos menores que dão espaço para novas histórias e que belissimamente nos encaminham ao fim.
Poético, romântico e simples. Das cores verde, vermelho, branco, marrom, azul e amarelo que separavam os grupos de objetos pelo espaço monto um imenso arco – íris, uma floresta, ou o gostoso quintal de casa, onde eu costumava brincar de cozinheira. Retrocedi, viajei no tempo e ao fim do espetáculo me senti no futuro, no mais distante alento das cores.

por Joseane Santana

quarta-feira, 25 de setembro de 2013



CONCILIAR

desejos 
possibilidades




Tão pessoal, tão meu momento, e encontro uma intervenção relacionada...

http://empreendedorismorosa.com.br/desejos-urbanos/

Quando duas imagens singulares, obras de dois poetas que vivenciam separadamente seu devaneio, se encontram, parece que se reforçam mutuamente. Essa convergência de duas imagens excepcionais proporcionam, de certa forma, uma confirmação para a pesquisa fenomenológica. A imagem perde a sua gratuidade. O livre jogo da imaginação já não é uma anarquia.” 

(BACHELARD, Gaston. A poética do espaço. p.73, l.13)


por Érica Lopes



segunda-feira, 3 de junho de 2013

Entre Nós: Ato performático - por Érica Lopes


Todo o processo de criação da intervenção foi, para mim, muito prazeroso. A princípio, cada um de nós pensou em possibilidades para realizar no pátio da Escola de Teatro. Eu e Roniere, em conversa, chegamos a uma concepção de espaço fechado por panos, dentro do qual ocorreriam as ações e as projeções e sobre o qual o público pudesse intervir modificando, por sua vez o espaço e, consequentemente, a própria intervenção. Nesse mesmo encontro, discutimos sobre o conceito de performance e conhecemos um pouco mais sobre Marina Abramovic. Dessa reunião saímos com os seguintes tópicos para desenvolver: Sartre como pretexto, espelhos, Alice, tempo, história do espaço ocupado, Bauman.
No encontro seguinte, optamos por selecionar trechos de textos de Sartre que nos tocassem e pudessem ter relação com tudo o que conversamos até então. Debruçamos-nos sobre livros e revistas, relacionando frases diversas. Chamou-nos a atenção a frase “O que é que nós temos em comum?” e resolvemos que esse seria um bordão no nosso trabalho. Chegamos à definição de que desejávamos trabalhar com a identidade, a relação com o outro, semelhanças e diferenças, a forma como nos vemos e como precisamos do outro para nos reconhecer a nós mesmos.
Partimos, então, para experimentos diversos a fim de descobrir como poderíamos nos relacionar com o espaço e elementos disponíveis. No encontro do dia 07 de maio, definimos por fim o roteiro final da intervenção que aconteceria na recepção dos calouros da escola de teatro no dia 13 de maio: iniciaríamos com o chá, refletindo sobre o tempo e bebendo-o numa tentativa de fazer dele melhor uso e não deixa-lo escapar, passando então para a relação com os espelhos e com o outro/espelho, jogando com as frases escolhidas numa provocação ao público e finalizando novamente com o chá, oferecendo aos presentes algo que temos em comum.
Dia 13, preparamos tudo para a apresentação e, ainda que com alguns imprevistos, conseguimos realizá-la a contento. Como o tempo estava chuvoso, foi preciso montar a estrutura no foyer do teatro Martim Gonçalves. O público nos acompanhou concentrado, apesar do insistente barulho feito por alguns alunos na área externa. Chamou minha atenção quando, ao perguntar o que nós temos em comum, ouvi em resposta: teatro e humanidade. A Jose e Omar, autores das respostas, devolvi as palavras quando lhes entreguei o chá também respondendo à questão. Concordo.
Depois da apresentação, muitas pessoas elogiaram o trabalho e uma estudante em particular, disse que a intervenção havia mexido muito com ela e que ela tinha sido convidada a se repensar. Nessa ocasião, fomos convidados a realizar a intervenção também na Calourosa 2013, recepção que acontece no Campus de Ondina envolvendo todas as unidades da UFBA e seus respectivos cursos.
Na sexta, dia 24, nos apresentamos pela segunda vez. Gostei muito de apresentar em espaço aberto, como era a nossa intenção inicial. Acho que isso proporciona outros ângulos de observação e uma relação diferenciada com o espaço e o público. O fato de a platéia não ser de teatro, também faz muita diferença, pois eles respondem de forma diferente às provocações.
Ao questionar nossas semelhanças, entre bêbados e cantadas, escutei como resposta, dentre outras:
“Você gosta de se olhar no espelho?”;
“É pra me olhar?”;
“O que você vê quando se olha no espelho?”
“Você já experimentou colocar um espelho de frente pro outro e se olhar? O que você vê? Nós, físicos, vemos um ponto no infinito.”
“O que é a existência?”
“O que nos caracteriza como humanos?”
Ao final da apresentação, pude retomar o contato com algumas dessas pessoas, que perguntaram sobre o nosso curso, sobre e pesquisa e a proposta. Acho que essa relação é o que nos caracteriza e justifica. É por isso e para isso que fazemos e pesquisamos teatro.

* Mais imagens podem ser visualizadas no link Imagens - Materialidades em Cena


segunda-feira, 29 de abril de 2013

TIC TAC...



“O tique-taque dos nossos relógios é tão grosseiro, tão mecanicamente sincopado que já não temos o ouvido bastante aguçado para escutar o tempo que se escoa” 
(BACHELARD, 1993, p.173)




por Érica Lopes
foto: Priscila Pimentel


Tempo...


“Na ampulheta, ele ouviu subitamente a catástrofe do tempo” 

                                                              (BACHELARD, 1993, p.173)




                           


*FOTOS: Priscila Pimentel sobre processo próprio de criação de ampulheta com materiais reaproveitados para utilização em intervenção cênica do Grupo CELULA a ser realizada em maio de 2013.

por Érica Lopes



sábado, 6 de abril de 2013

A Intrépida Viagem por Roniere Silva


RELATO SOBRE A PEÇA "A INTRÉPIDA VIAGEM DE UM HOMEM E UM PEIXE"

por Roniere Silva

Descemos no elevador e nos defrontamos com um ambiente repleto de luzes azuis e uma caixa com programas e livros sobre a peça, sons distantes.  Não sabíamos se este momento já fazia parte da apresentação. O público chegava aos poucos em grupos de cinco pessoas que desciam por esse elevador que possuía estrutura de acrílico e vista para a Bahia de Todos os Santos. O relógio marcava 17h30min e a luz que vinha do elevador invadia o ambiente de tempos em tempos proporcionando uma materialidade de luz natural.
           
            Um homem cabeludo e com chapéu aparece com cara muito simpática, mas sem pronunciar uma única palavra. Ele sai de uma porta que parecia uma parede comum branca, estávamos no Foyer e já envolvidos na atmosfera cênica que aquele trabalho buscava estabelecer. O homem com uma bola de barbante nas mãos entrega a uma criança – Hanna, por acaso minha filha – que ele conduz sozinha para dentro do teatro, mas nós não sabíamos se era isso mesmo. Depois escolheu dois adultos e também levou e assim sucessivamente até que o público ocupasse toda plateia.

            O homem entra numa espécie de caixa projetora de imagens e que também possibilita o acionamento de vários materiais – e são muitos – da cena que interage com outro ator que conta a história de um país apenas habitado por idosos. Nenhum elemento cênico é gratuito, vários bonecos de arame que na verdade era um só personagem em diferentes fases de sua vida ou ações. Ações que iam desde deitar-se – com a manipulação do ator que aparecia no palco – em uma pequenina cama que subia e descia aos olhos de todos até o momento em que o boneco grande de arame tomava banho numa bacia grande, este ser é sensível e ganha vida na história, percebe-se seu coração. O material é mesmo sem vida?

            Chama a atenção a sombra projetada do primeiro ator e imagens de água corrente, um ser – tartaruga de brinquedo – e cores em expansão nessa água. Tudo levava a crer que a projeção vinha de um suposto datashow colocado por dentro da caixa no cenário que possuía a origem e efeito da projeção das imagens. Ao fim da peça, que foi excelente, para nossa surpresa era o antigo retroprojetor com uma travessa de vidro sobreposta, água jogada devagarinho dentro da travessa e pingos de tinta simples e ainda uma tartaruguinha made in china que rodopiava dentro da água. Saímos curiosos e felizes pelo reconhecimento de experimentos feitos recentemente em nossas pesquisas. Sei que as impressões foram as melhores possíveis, uma vez que nos identificamos em termos de processo de criação.

quinta-feira, 21 de março de 2013

Experimento desenvolvido pelos pesquisadores PIBIC - 21.03.2013 - Ação 1 (Passeio - área externa Escola de Teatro da UFBA)

“A ilusão que procuramos criar não terá por objeto
a maior ou menor verossimilhança da ação,
mas a força comunicativa e a realidade dessa ação.”
                                 Artaud




Em obras

Materialidade: texto

 Registros
 Materialidade: objetos

 Corpos em fricção com texto

Jogo
 

terça-feira, 19 de março de 2013

A Intrépida Viagem por Érica Lopes

Relato sobre a experiência com o espetáculo 
"A Intrépida Viagem de Um Homem e Um Peixe"
08 de março de 2013 - Instituto Cervantes
Por Érica Lopes


Atmosfera é a palavra que me vem à mente quando penso no espetáculo "A Intrépida Viagem de Um Homem e Um Peixe", que assisti na última sexta-feira, dia 08 de março, no Cervantes.
Atmosfera maravilhosamente criada desde a nossa chegada no instituto até a entrada no teatro e daí até o final do espetáculo.
Descíamos em pequenos grupos, conduzidos por um funcionário do teatro, por um elevador e, ao dele sair, nos deparávamos com um foyer escuro, iluminado apenas por um pisca-pisca azul que se espalhava por toda a sala. O público demonstrava ansiedade. Não sabíamos de a apresentação seria ali mesmo ou se seríamos conduzidos a outro espaço.

Atentos (e até buscando) a interação com materialidades diversas, eu e Ronie vimos, em um canto da sala até então despercebido pelos demais, uma mala aberta com um chapéu, programas do espetáculo e alguns livros com título homônimo. Começamos a folhear. Algumas pessoas, vendo isso, começaram a chegar também. Os livros foram passando de mão em mão e todos se perguntavam se estariam à venda.
De repente, um rapaz com uma cartola sai de uma lateral do espaço e começa a interagir com o público. Depois de aglomerar a todos (apenas 30 pessoas por sessão), retira a cartola e pede a Hanna (filha de Ronie e uma das poucas crianças presentes) que retire algo de dentro. Hanna pega e é uma bola de linha. O rapaz dá a ponta da linha para que ela segure e assim a conduz para dentro da sala de espetáculo. Só ela.
Pouco tempo depois, abre-se uma pequena brecha na porta e a bola de linha rola pelo chão. O rapaz segura a ponta da linha agachado no chão pela fresta da porta. Seguro a bola e sou assim também conduzida ao interior da sala. os demais entram após algum tempo.
Dentro do teatro, penumbra. A iluminação vinha apenas de diversos pisca-piscas espalhados pela sala. Desta vez, azuis, vermelhos e brancos. Um cenário com muitos objetos. Um ator, sentado, perguntou meu nome e assim foi fazendo com algumas pessoas até que todos entrassem e se acomodassem.
O espetáculo conta a história de ECO, único morador jovem de uma vila onde ninguém tinha menos de 70 anos e de onde nenhum morador jamais havia saído. Um dia, resolvem mandar ECO para ver o mundo lá fora e voltar com todas as respostas.
A trajetória de ECO é narrada com  grande sutileza por Jesus Nieto, único ator em cena no espetáculo, utilizando objetos que ilustram a narração e nela imprimem com maestria momentos de pausa e de poesia.
Em alguns momentos o público é convidado a interagir com a narrativa, o que envolve ainda mais os presentes. O fato de a peça ser em espanhol não chegou, para mim, a atrapalhar a compreensão.
O espetáculo é muito belo e sensível. O condutor nos leva com ECO em sua viagem,  no seu percurso pela vida até o seu último banho, quando a realidade do fim do espetáculo e da efemeridade da vida nos traz de volta aos nossos mundos.
Ao fim do espetáculo, não sem um percurso que daria um texto à parte, consegui adquirir um dos livros que, sim, estavam à venda, e sim, acabaram num piscar de olhos. O livro também é muito belo e chamou minha atenção o fato de que não foi ele que inspirou o espetáculo, mas o contrário.
Jesús Nieto prometeu voltar a Salvador e, nessa próxima vez, com o espetáculo em Português. Estarei lá e sugiro que quem puder não a perca a chance de assistir.

* Mais fotos da apresentação podem ser vistas no link Materialidades em Cena.