Todo o processo de criação da intervenção
foi, para mim, muito prazeroso. A princípio, cada um de nós pensou em
possibilidades para realizar no pátio da Escola de Teatro. Eu e Roniere, em
conversa, chegamos a uma concepção de espaço fechado por panos, dentro do qual
ocorreriam as ações e as projeções e sobre o qual o público pudesse intervir
modificando, por sua vez o espaço e, consequentemente, a própria intervenção.
Nesse mesmo encontro, discutimos sobre o conceito de performance e conhecemos
um pouco mais sobre Marina Abramovic. Dessa reunião saímos com os seguintes
tópicos para desenvolver: Sartre como pretexto,
espelhos, Alice, tempo, história do espaço ocupado, Bauman.
No encontro seguinte, optamos por
selecionar trechos de textos de Sartre que nos tocassem e pudessem ter relação
com tudo o que conversamos até então. Debruçamos-nos sobre livros e revistas,
relacionando frases diversas. Chamou-nos a atenção a frase “O que é que nós temos em comum?” e resolvemos que esse seria um bordão no nosso trabalho. Chegamos à
definição de que desejávamos trabalhar com a identidade, a relação com o outro, semelhanças e diferenças,
a forma como nos vemos e como precisamos do outro para nos reconhecer a nós mesmos.
Partimos, então, para experimentos
diversos a fim de descobrir como poderíamos nos relacionar com o espaço e
elementos disponíveis. No encontro do dia 07 de maio, definimos por fim o
roteiro final da intervenção que aconteceria na recepção dos calouros da escola
de teatro no dia 13 de maio: iniciaríamos com o chá, refletindo sobre o tempo e bebendo-o numa tentativa de
fazer dele melhor uso e não deixa-lo escapar, passando então para a relação com
os espelhos e com o outro/espelho,
jogando com as frases escolhidas numa provocação ao público e finalizando
novamente com o chá, oferecendo aos presentes algo que temos em comum.
Dia 13, preparamos tudo para a
apresentação e, ainda que com alguns imprevistos, conseguimos realizá-la a contento.
Como o tempo estava chuvoso, foi preciso montar a estrutura no foyer do teatro
Martim Gonçalves. O público nos acompanhou concentrado, apesar do insistente
barulho feito por alguns alunos na área externa. Chamou minha atenção quando,
ao perguntar o que nós temos em comum, ouvi em resposta: teatro e humanidade. A
Jose e Omar, autores das respostas, devolvi as palavras quando lhes entreguei o
chá também respondendo à questão. Concordo.
Depois da apresentação, muitas pessoas
elogiaram o trabalho e uma estudante em particular, disse que a intervenção havia
mexido muito com ela e que ela tinha sido convidada a se repensar. Nessa ocasião, fomos convidados a realizar a intervenção
também na Calourosa 2013, recepção que acontece no Campus de Ondina envolvendo
todas as unidades da UFBA e seus respectivos cursos.
Na sexta, dia 24, nos apresentamos pela
segunda vez. Gostei muito de apresentar em espaço
aberto, como era a nossa intenção inicial. Acho que isso proporciona outros
ângulos de observação e uma relação
diferenciada com o espaço e o público.
O fato de a platéia não ser de teatro, também faz muita diferença, pois eles
respondem de forma diferente às provocações.
Ao questionar nossas semelhanças, entre
bêbados e cantadas, escutei como resposta, dentre outras:
“Você gosta de se olhar no espelho?”;
“É pra me olhar?”;
“O que você vê quando se olha no
espelho?”
“Você já experimentou colocar um espelho
de frente pro outro e se olhar? O que você vê? Nós, físicos, vemos um ponto no infinito.”
“O que é a existência?”
“O que nos caracteriza como humanos?”
Ao final da apresentação, pude retomar o
contato com algumas dessas pessoas, que perguntaram sobre o nosso curso, sobre
e pesquisa e a proposta. Acho que essa relação
é o que nos caracteriza e justifica. É por isso e para isso que fazemos e pesquisamos teatro.
* Mais imagens podem ser visualizadas no link Imagens - Materialidades em Cena

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