quinta-feira, 30 de outubro de 2014

A memória histórica e a musicalidade do espetáculo A comida de Nzinga


[...] Signos, materiais, cores, energia, força nas ações, sonoridades, estética, movimento, história, memória, riqueza, poder […], São algumas das palavras que traduzem a recepção do espetáculo que tive no dia 13 de setembro de 2014, a oportunidade de assistir “A Comida de Nzinga” no palco do Teatro SESC – Pelourinho.


O espetáculo “A comida de Nzinga” narra a vida de uma das maiores rainhas negras da história, a rainha Nzinga de Matamba, do séc XVI. Com texto de Aninha Franco e Marcos Dias, e direção de Rita Assemany. (trecho retirado da página virtual do espetáculo).
Num imaginário cheio de cores e força, o espetáculo traz uma estética onde tudo em cena constitui uma atmosfera sonora, desde abanadores, canuites, sapatos e o próprio corpo dos atores. Os objetos em cena simbolizam o povo, a hierárquia e a força de mulheres que se esgotam para parir novos guerreiros. Gamelas são barrigas, tecidos são bebês, ou simbolizam transição de tempo, bastões são armas/instrumentos, berimbais trazem a disputa da capoeira sem a luta corporal.
Os homens brincam com o milho na peneira, e enquanto combiçam verbalmente a beleza e a força de Nzinga, os grãos são passados de peneira a peneira produzindo sons que nos instigam a imaginação.
A beleza do espetáculo está nas roupas, nas construções textuais bem costuradas com o contexto histórico e com a teatralidade das ações. A materialidade é a constituinte de todo o espetáculo, de novas ações, produto que pede lapidação e que indica criação.
Um espetáculo em que sons e falas misturam-se, e os corpos unem-se prol a beleza de contar e de expor uma memória histórica de maneira prosaica e lúdica.



Por: Joseane Santana

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