terça-feira, 30 de junho de 2015

Exemplo grego - só exemplo!

Protágoras foi um desses criativos sofistas. Contava-se dele uma história que fazia seus interlocutores pensarem de verdade, a fundo, sem repetir frases feitas e conceitos estabelecidos pelos aristocratas, que não permitiam o pensamento livre, isto é, não permitiam pensar.


"O jovem Euathlus queria ser seu aluno e foi procurá-lo. Protágoras, era grande orador, portanto, advogado. Como não tinha dinheiro, o aluno propôs pagar suas aulas no fim do curso, com o salário que receberia pela sua primeira vitória em seu primeiro julgamento. Protágoras aceitou. No meio do ano, o aluno desistiu e foi-se embora. Protágoras reclamou em juízo o pagamento dos serviços que já lhe havia prestado como professor, e o aluno foi trazido aos tribunais para se defender. O aluno recusou-se a pagar alegando que não havia terminado o curso nem ganho qualquer causa e que, portanto, a obrigação de pagamento não existia. O juiz lhe deu ganho de causa. Protágoras retornou ao combate e afirmou que, tendo ele, Protágoras, perdido a causa, quem a ganhara havia sido seu exaluno, que, em tão pouco tempo, tanto aprendera. Portando, como ganhador de sua primeira causa, o aluno deveria pagar. O juiz pensou, pesou... olhou os dois lados da questão... paga ou não paga? Examinou bem... e... o que pensaria você, leitor? Diga lá – eu não vou ajudar em nada: pense com sua cabeça, como aconselhava Protágoras!"

(BOAL, Augusto. A Estética do Oprimido. p. 124,125)

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