Seria tolo imaginar um infinito
apenas para fora e para longe... Se é verdade que o infinito existe, não é mero
conceito, não pode ter limites para dentro: não pode ser infinito para além das
estrelas e limitado em cada átomo do nosso corpo. O átomo, apesar do seu nome –
átomo, indivisível –, é um universo de quarks; estes, universos de feixes de
energia granulada; cada grânulo é um novo universo. O infinitamente grande é
igual ao infinitamente pequeno. O infinito destrói conceitos de grande e
pequeno, longe e perto. Tudo está perto porque é longe, tão pequeno sendo tão
grande. Em cada fio dos meus cabelos existem trilhões de Vias Lácteas, objetos
siderais atraídos por vorazes buracos negros. Não podemos cair no erro de
Parmênides, filósofo grego que afirmava que o Universo era infinito em todas as
direções, teria um ponto de partida e... seria esférico. Ora, se tinha começo e
forma precisa, seria finito, pois a forma é o limite do ser com o não-ser e,
como sabemos e Parmênides se esqueceu por uns instantes o que ele mesmo disse,
o não-ser não é... Pisando o chão, pisamos terra, respiramos ar e, mais alto,
vem o vazio. Mais alto ainda, o próprio vazio se ausenta... O infinito é a
vertigem do pensamento!
Augusto Boal.
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