terça-feira, 23 de junho de 2015

Na arte e no amor, penetramos no Infinito.

Seria tolo imaginar um infinito apenas para fora e para longe... Se é verdade que o infinito existe, não é mero conceito, não pode ter limites para dentro: não pode ser infinito para além das estrelas e limitado em cada átomo do nosso corpo. O átomo, apesar do seu nome – átomo, indivisível –, é um universo de quarks; estes, universos de feixes de energia granulada; cada grânulo é um novo universo. O infinitamente grande é igual ao infinitamente pequeno. O infinito destrói conceitos de grande e pequeno, longe e perto. Tudo está perto porque é longe, tão pequeno sendo tão grande. Em cada fio dos meus cabelos existem trilhões de Vias Lácteas, objetos siderais atraídos por vorazes buracos negros. Não podemos cair no erro de Parmênides, filósofo grego que afirmava que o Universo era infinito em todas as direções, teria um ponto de partida e... seria esférico. Ora, se tinha começo e forma precisa, seria finito, pois a forma é o limite do ser com o não-ser e, como sabemos e Parmênides se esqueceu por uns instantes o que ele mesmo disse, o não-ser não é... Pisando o chão, pisamos terra, respiramos ar e, mais alto, vem o vazio. Mais alto ainda, o próprio vazio se ausenta... O infinito é a vertigem do pensamento!

Augusto Boal.

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